Você já fez isso? Pensa em todos os momentos que teve com aquela pessoa e da replay na sua cabeça, de novo e de novo. São os primeiros sinais de que você está com problemas.
500 dias com ela. (via terminar)
Sinto saudade de algumas coisas. De mim, principalmente. De como eu era. Mas acho que a gente se transforma, assim como a vida, assim como os dias. Tudo é aprendizado, tudo tem motivo. Essa certeza ninguém me tira. Tudo na vida tem explicação. Não sou de lamentar, tampouco conto minhas lamúrias dizendo que-foi-que-eu-fiz-que-cruz-é-essa-que-carrego. Não sou vítima da situação. Tem tanta gente sofrendo, tanta gente se estrepando, tanta gente guerreira, que encara a vida de peito aberto sem choro e sem sentir pena ao se olhar no espelho. Não tenho motivos para lamentar. Mas tenho muitos para agradecer.”
Clarissa Corrêa.  (via terminar)
Eu só queria que tu soubesse que eu não vou sair de você. Vou me grudar nas tuas músicas, colar nos teus filmes, dar as caras nos personagens dos teus livros, aparecer de surpresa nas suas conversas com outras pessoas, inevitavelmente você vai me comparar com todo mundo e, por fim, vai perceber que não tem melhor que eu. Vai enfiar sua língua em outras bocas pra me esquecer, vai se agarrar com alguém pelos banheiros pra não lembrar de mim, vai virar cinco doses seguidas de tequila e mesmo assim isso não vai te dar a capacidade de sequer confundir meu nome com outro. Vou permanecer nos seus beijos, amassos, ressacas, vômitos e dores de cabeça. Você querendo ou não. Juro.
Futuro, Alietro? e o Senhor Peludinho.
OBS: Se eu fosse você, colocaria essa música tocar.

— Qual é a mistura dos nossos nomes?
— Que?
Ela se agitou nos meus braços e virou a cabeça pra mim e eu automaticamente parei de prestar atenção no filme. Um filme bem ruim, aliás. Não que você vá prestar muita atenção em um filme quando você fica de conchinha com uma garota e ela constantemente se esfrega em você, mas mesmo assim. E não que você possa esperar algo válido de se prestar atenção em qualquer filme que tenha “para sempre” no titulo.
— É, tipo, a combinação de Pietro com Alice — ela esclareceu.
— Por quê? — perguntei.
Ela deu de ombros.
— Sei lá. Pialice?
— Tá pretendendo arrumar nome pros nossos filhos?
Ela franziu a testa e voltou a olhar pra TV, me ignorando como se não fosse ela que tivesse puxado o assunto. A Alice é assim. “Casamento, filhos, compromisso” e se a menina tivesse um pinto, ela broxava na hora. Eu quase rio alto pensando que deveria ser eu fugindo desses assuntos.
— Eu não vou ter filhos. Com certeza não com você. Eu vou ter gatos. Por que a gente sequer tá conversando sobre isso como se meu futuro incluísse você? — ela disse, na defensiva, de novo agindo como se eu que viesse com esses papos.
Eu comecei a achar divertido.
— Quantos gatos?
— Quatro.
— Hm. Que cores?
— Um preto, um branco, um cinza e um ruivo — ela respondeu sem me olhar.
Sorri. “Ruivo”.
— E os nomes?
— Marvin, Copo de Leite, Bola de Neve e Senhor Peludinho.
Senhor Peludinho. Eu balancei a cabeça e puxei o queixo dela, fazendo-a virar pra mim.
— Eu não gosto de gatos.
— Então não tenha um na sua casa. Ninguém vai te obrigar.
Beijei o nariz dela e ela virou completamente o corpo pra mim. Eu fiquei acariciando as costas dela por baixo da blusa, porque isso deixa ela arrepiada. Sussurrei:
— Eles são ariscos, mal-humorados, traiçoeiros, vão embora e voltam quando querem, aparecem do nada na tua casa, ocupam o espaço maior na cama, roubam seu cobertor quando dormem com você, bagunçam o sofá… Ei, eles parecem com você.
Ela soltou um “hahahaha” irônico e eu puxei ela pra mais perto.
— E além do mais, eles se esfregam nas pessoas. Mas você se esfrega só em mim.
Ela afastou o rosto do meu, me dando a “expressão de Alice”, que consiste nela franzindo a testa e te desprezando.
— Quem te garante que é só em você?
Eu soltei um “hahahaha” irônico.
— Se eu pareço uma gata, você é um cachorro — ela disse.
Me fingi de ofendido.
— Por quê?
— Aqueles cachorros grandes, e babões, que mesmo que você fale trinta vezes pra ele não fazer xixi no tapete, ele vai lá e faz o maldito xixi no tapete, aí você vai xingar ele e lá tá ele, deitado, com cara de triste, como se a culpa fosse sua…
— Não é pra tanto… — resmunguei.
— Aí você quer ficar sozinha e eles não te deixam em paz… Eles comem toda a comida da casa se você deixar… Eles lambem qualquer uma por ai…
— Ei! — interrompi. — Eu não lambo qualquer uma por ai.
Ela riu e deitou por cima de mim, o queixo repousando no meu peito. Eu cutuquei a ponta do nariz dela com o dedo como se fosse uma buzina.
— Gosto mais de você quando você tá dormindo — eu disse, mexendo na boca dela com os dedos e tentando levantar o canto do lábios dela.
— Por quê? Por que eu fico quieta quando durmo?
— Na verdade — respondi —, você fala dormindo. E às vezes faz uns barulhos, que são meio que uns rosnados de cachorro e meio que um ronco de motor de carro. Me dá bastante medo, se for pra ser sincero.
— Engraçadão, Pietro — ela disse, tentando não sorrir.
— Eu sei, eu devia ter meu próprio programa de TV. Mas não, é porque dormindo você perde essa carinha de brava. Fica mais tranquila. Ei, você parece aquele Grumpy-Cat.
Ela rolou os olhos pra mim e chegou um pouco mais perto.
— Muito engraçado, realmente.
— Eu nem sei como eu gosto de você — declaro.
Esse é um dos momentos que eu tenho certeza que ela vai quebrar com algum comentário sarcástico porque eu tô sendo “demais”, então eu fico surpreso quando ela me beija e depois sussurra contra a minha boca.
— E daí que eu falo dormindo? Você baba e eu ainda gosto de você.
“Gosto de você”. Ela volta pra nossa posição inicial e eu encosto a boca no pescoço dela.
— Eu não babo. Alice, eu babo?
— Cala a boca, Pietro.
— Nah, eu não babo.
Eu aperto meus braços ao redor dela e fico quieto por momento.
— Alietro — digo subitamente.
— Que?
— “Alietro” é bem melhor que “Pialice”.
— Com toda a certeza.
A gente volta a atenção pro filme, mas eu já nem sei mais do que se trata, só sei que tem choro e romance, então fico mordendo o pescoço da Alice pra tentar distrair ela também.
— Eu não quero ter filhos — ela diz.
— Nem eu — respondo, deixando uma marca nela. Ela se encolhe.
— A gente pode ter gatos — ela propõe.
— Quatro.
— Com certeza.
— Menos “Senhor Peludinho”. É horrível.
I love her like hate, I love her like pain
I need her like a picnic needs the rain
I need her like a forest needs a flame
I love her like rage, I love her like shame
I need her like a victim needs the plague
I love her like la la la la la la la la
Pietro da Alice, Vinícius Kretek (via 27-06)